22 de junho de 2013

É só um dia (a)normal. Ou de quando ouvi Katy Perry pela primeira vez.

12 de junho de 2007. Essa foi a data em que deixei de gostar do Dia dos Namorados. Não, não foi o dia em que aprendi sobre sua criação, seu teor comercial/vazio/capitalista. Foi o dia em deixei de gostar mesmo. Porque antes, eu gostava e queria comemorá-lo.

Status daquele dia: eu, solteira há anos, sem nada a fazer. Uma grande amiga, namorando, estava sozinha porque o namorado ia participar de um evento em Cannes. A amiga liga - carente toda vida - para saber se eu não gostaria de sair para jantar (eu devia ser a única a opção do dia, mas gosto de acreditar que minha presença é algo fantástico e que a animaria muito) e eu, toda solícita que sou, aceito.

Após uma grande aventura no velho Fiat Uno de guerra (que merece um post só dele), chegamos ao Leblon. Restaurantes? Esqueça: tudo lotado! A saída mais próxima foi ir a um shopping. Conseguimos mesa num restaurante de hamburgueres e outras gordices. Óbvio, carne gordurosa e pão não formam um programa romântico.

E lá eu vi porque o Dia dos Namorados é uma farsa: havia uns seis casais, além de nós, e todos calados. Sim! Calados! Cada um olhando pro seu prato. Que divertido, não? Se ao menos os smartphones fossem tão acessíveis, as pessoas poderiam estar se relacionando com alguém naquele momento. Eles só estavam lá, mas não sentiam nada lá (talvez só um estômago cheio).

Só eu e minha amiga falávamos. E falávamos. E falávamos. E nos chamávamos de “chuchu” (não me perguntem, pois não sei porque nos chamamos assim até hoje). Chuchu é brega pracarai, mas é chamativo carinhoso. Então, éramos as únicas a demonstrar afeto. Num determinado momento, a menina entediada na mesa ao lado falou (pasmem!) com seu namorado(?): “olha que fofo, elas saíram pra comemorar também”. Ah, para quê, mulher de Deus, você foi falar isso? Claro que fingimos ser namoradas, nada explícito ou diferente do “chuchu”, mas aceitamos o papel. Recebemos outros olhares, mas, perto do preconceito nosso de cada dia, acredito que nos trataram relativamente bem porque era Dia dos Namorados.

SÓ PORQUE ERA DIA DOS NAMORADOS!!!

Quer dizer, então, que só nesse dia o amor está liberado? Quer dizer que nesse dia, criado por um publicitário com a missão de aumentar vendas da Clipper, eu tenho de estar acompanhada para provar que “não é só com beijos que se prova o amor”? Eu não posso ter uma TPM? Meu namorado não pode querer ver um jogo? Não podemos ter dor de barriga?

Temos mesmo que mudar toda a nossa rotina para fazer um dia especial só porque nos disseram que é especial? 

Pronto! Toda a raiva começou... 

Ainda considerei por algum tempo que eu estava tendo reação de solteira. Sabe, aquela coisa de negar pra ser feliz...

Hoje, casada, vejo que não. Não comemoramos o Dia dos Namorados. Não sabemos se chegamos a comemorar algum talvez no começo do relacionamento, quando ele era diferente e eu não queria magoá-lo. Se sim, foi tão insignificante que não nos recordamos. Mas me lembro do dia em que ele me reensinou a andar de bicicleta. Ou daquele que descobrimos o nosso restaurante favorito. De quando ele – tão timidamente - falou que me amava pela primeira vez. Ou de quando fomos à praia pela primeira vez. Da noite na casa noturna na primeira festa de rock.

Lembro-me de detalhes desses dias: expressões, aromas, tatos... Em nenhum deles ganhei presente. Nenhum deles foi em 12 de junho. Mas pode ser que no futuro um fato marcante aconteça nesse dia. Mas não por obrigação, mas porque foi assim...

Porque é sim com beijos que se prova o amor!

No dia 12 de junho de 2007, voltando pra casa, escutei Katy Perry. Sim, crianças, lembro-me de coisas bizarras. 


Mais sobre Dia dos Namorados aqui.

Um comentário:

Marco Simões disse...

Amo tanto esta Luluca!!! Amar, amo todos dos dias, sair para jantar podemos sair qualquer dia. Por que escolher apenas um dia e ainda o pior dia para fazê-lo e demonstrá-lo?