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1 de setembro de 2013

Sobre o meu lance com Anitta


 Admito, estou perdidda. Não sou estudiosa da questão de raça. Também não sou super entendida sobre a questão de gênero. Interesso-me pelos dois e tenho de estudar mais sobre ambos. Admito que na atual conjuntura da minha vida – e também pelas escolhas de “seguir” que fiz nas minhas mídias sociais – tenho pensado mais pelo ponto de vista da segunda questão.

  Esse desabafo, então, é de uma analfabeta funcional nessas questões. Mas precisava pôr pra fora. Tudo começou há uns 20 dias, quando a Prill (quase meu alterego da internê) postou algo sobre não entender o porquê das pessoas criticarem a Anitta por ela fingir ser branca. Rolou um debate sobre o que é ser branca ou ser negra (que não me recordo bem e não posso me meter por não saber) e eu abordei que meu interesse por ela (que quase ninguém entende) é que ela levanta questões que alteram a concepção – principalmente das “novinhas” – sobre posicionamento e liberdade de escolha. Acho sensacional a letra de escova:
 
Não toque no meu cabelo, você não é escova
Só manda papo errado, pensa que eu sou boba
Tá se achando o brabo, crente que é o cara
Mas meu sensor de mané, me deixa ligada
É, aceita, sai, da mesa
Não encosta não
É, aceita, sai, da mesa
Não encosta não
Eu quero outra proposta
 
  Claro, ela não é a primeira a fazer isso. Valeska-ídola-popozuda já faz isso há anos. Mas, Valeskona não tem a inserção que a Anitta tem. Valeska é de comunidade, se fez e se faz no funk: sua música infelizmente, ainda é vista como de favelada e não consegue permear por muitos grupos. Aniita é classe média. Ela fez a reapropriação da reapropriação: bebeu do funk e se fez pop (acredito que até mesmo por ser classe média, Anitta não conseguiria bancar pra sempre o funkão).
 
  Prill perguntou: “isso é por que ela canta pop? Mas o Naldo  faz isso e ninguém enche o saco. Claro, Naldo é homem!”. Siiiiiiiiiiiiiim! Naldo é um homem. Um homem que veio do funk. Um homem que também não tem discurso de raça definido (eu acho). Um homem que canta “se joga no meu colo, amor”.  Um homem que entoa clássicos da cultura do estupro:
 
E nem adianta disfarçar que não me quer
Sei qual é a tua
Dá pra ver o que 'cê' quer
Tipo meio galinha
Que garota tentação
E fica excitada quando o DJ solta...
 
  A música de Anitta, diferente da de Valeskona e igual a a de Naldo, consegue ser ouvida por todos. E isso, na minha opinião, incomoda os ouvidos machistas por aí. Ah... Parece muita Luluquice, né?
Foto: Anitta na adolescência e atualmente / Crédito: Reprodução e Divulgação
Antes e depois da Anitta 

Mas olha só o que anotei de Anitta:
- Críticas por “estar branca”
- Pseudo vídeo de sexo com primos jogado na rede
- Blog dizendo que ela, na verdade, morreu e uma cover assumiu o lugar

 


Sobre o Naldo:
- Críticas a uso de playback
- Críticas de sua ex-mulher pelo novo casamento (só que no caso, quem acaba sendo criticada é a ex-esposa).
 
  Sinto um grande incômodo com tudo isso, por que a cantora Anitta é criticada principalmente por questões pessoais? Por que ninguém fala que é absurdo o que o Naldo canta? Por que ninguém fala do corpo e da cor do cantor-homem?
 
  As questões de gênero-and-raça também deram o que falar nessa semana com a apresentação da Miley Cyrus no VMA 2013. Na minha singela opinião, a menina é dona do próprio corpo e principalmente da própria bunda – que faça twerk! Mas, para muitos, era muito melhor quando ela fazia um papel de uma menina que para fazer sucesso tinha de ser outra pessoa (esta loira e toda trabalhada no rosa, como um bom esteriótipo de gênero tem de ser).
 
  O twerk é uma apropriação de outra classe? Sim. Mas ela não o pode fazer por ser branca? E se fosse uma artista branca que canta o papel feminino de esperar a vontade do homem? Sejamos claro com exemplos possíveis: s   e fosse a Selena Gomez de calçola e top rebolando até o chão entoando “quando você estiver pronto, venha me pegar”, será que haveria tanta polêmica? (aqui ela faz repropriação de sons indianos, mas ninguém diz nada).
 
  Uma crítica disse que a Cyrus faz o passo da Beyoncé. Uma pergunta: por que ela não pode?
 
  Posso ter escrito um monte de asneira (o que é possível), mas tinha de falar...
 
Links importantes:
Fotos:
 
  

22 de junho de 2013

É só um dia (a)normal. Ou de quando ouvi Katy Perry pela primeira vez.

12 de junho de 2007. Essa foi a data em que deixei de gostar do Dia dos Namorados. Não, não foi o dia em que aprendi sobre sua criação, seu teor comercial/vazio/capitalista. Foi o dia em deixei de gostar mesmo. Porque antes, eu gostava e queria comemorá-lo.

Status daquele dia: eu, solteira há anos, sem nada a fazer. Uma grande amiga, namorando, estava sozinha porque o namorado ia participar de um evento em Cannes. A amiga liga - carente toda vida - para saber se eu não gostaria de sair para jantar (eu devia ser a única a opção do dia, mas gosto de acreditar que minha presença é algo fantástico e que a animaria muito) e eu, toda solícita que sou, aceito.

Após uma grande aventura no velho Fiat Uno de guerra (que merece um post só dele), chegamos ao Leblon. Restaurantes? Esqueça: tudo lotado! A saída mais próxima foi ir a um shopping. Conseguimos mesa num restaurante de hamburgueres e outras gordices. Óbvio, carne gordurosa e pão não formam um programa romântico.

E lá eu vi porque o Dia dos Namorados é uma farsa: havia uns seis casais, além de nós, e todos calados. Sim! Calados! Cada um olhando pro seu prato. Que divertido, não? Se ao menos os smartphones fossem tão acessíveis, as pessoas poderiam estar se relacionando com alguém naquele momento. Eles só estavam lá, mas não sentiam nada lá (talvez só um estômago cheio).

Só eu e minha amiga falávamos. E falávamos. E falávamos. E nos chamávamos de “chuchu” (não me perguntem, pois não sei porque nos chamamos assim até hoje). Chuchu é brega pracarai, mas é chamativo carinhoso. Então, éramos as únicas a demonstrar afeto. Num determinado momento, a menina entediada na mesa ao lado falou (pasmem!) com seu namorado(?): “olha que fofo, elas saíram pra comemorar também”. Ah, para quê, mulher de Deus, você foi falar isso? Claro que fingimos ser namoradas, nada explícito ou diferente do “chuchu”, mas aceitamos o papel. Recebemos outros olhares, mas, perto do preconceito nosso de cada dia, acredito que nos trataram relativamente bem porque era Dia dos Namorados.

SÓ PORQUE ERA DIA DOS NAMORADOS!!!

Quer dizer, então, que só nesse dia o amor está liberado? Quer dizer que nesse dia, criado por um publicitário com a missão de aumentar vendas da Clipper, eu tenho de estar acompanhada para provar que “não é só com beijos que se prova o amor”? Eu não posso ter uma TPM? Meu namorado não pode querer ver um jogo? Não podemos ter dor de barriga?

Temos mesmo que mudar toda a nossa rotina para fazer um dia especial só porque nos disseram que é especial? 

Pronto! Toda a raiva começou... 

Ainda considerei por algum tempo que eu estava tendo reação de solteira. Sabe, aquela coisa de negar pra ser feliz...

Hoje, casada, vejo que não. Não comemoramos o Dia dos Namorados. Não sabemos se chegamos a comemorar algum talvez no começo do relacionamento, quando ele era diferente e eu não queria magoá-lo. Se sim, foi tão insignificante que não nos recordamos. Mas me lembro do dia em que ele me reensinou a andar de bicicleta. Ou daquele que descobrimos o nosso restaurante favorito. De quando ele – tão timidamente - falou que me amava pela primeira vez. Ou de quando fomos à praia pela primeira vez. Da noite na casa noturna na primeira festa de rock.

Lembro-me de detalhes desses dias: expressões, aromas, tatos... Em nenhum deles ganhei presente. Nenhum deles foi em 12 de junho. Mas pode ser que no futuro um fato marcante aconteça nesse dia. Mas não por obrigação, mas porque foi assim...

Porque é sim com beijos que se prova o amor!

No dia 12 de junho de 2007, voltando pra casa, escutei Katy Perry. Sim, crianças, lembro-me de coisas bizarras. 


Mais sobre Dia dos Namorados aqui.

22 de novembro de 2012

Rio, a cidade dos mega eventos. Será? {Ou minha relação com a Lady Gaga}

Estamos:
  • a um ano da Jornanda Mundial da Juventude;
  • a um ano da Copa das Confederações;
  • a dois anos da Copa;
  • a quatro anos das Olimpíadas.
E ainda falta muito para a cidade estar preparada.  Eu vejo canteiro de obras por todos os lados, mas não sei para o quê elas por aí. Ok, vejo embelezamento, mas não entendo o legado. Muitos podem dizer que estou exagerando, mas contarei uma história.

Dia 9 de novembro. Sexta-feira. Dia do show da Lady Gaga.
Parece que ela gostou da cidade,
 mas não deve ter pego o mesmo 

trânsito que nós....
Eu retornei de uma micro-férias na Região dos Lagos para comemorar o aniversário de minha irmã. Fiquei feliz, pois o trânsito estava limpo.

Cheguei na entrada social da Rodoviária cedo e sorridente. Aí, começou o meu problema. Com as trocentas obras, o ônibus demorou 30 minutos para chegar no terminal.

Desci, já meio emburrada. E só estava começando. Perguntei a um guardinha para onde tinha ido o ônibus do metrô, que fazia integração de dentro da Rodoviária. Pokerface. Dois minutos depois: “hum, acho que está la fora do lado direito”. Peeeeeen: resposta errada. Quando fui à rodoviária, na ida da viageM, vi que este lado estava repleto de quê? O-B-R-A-S!

“OK”, pensei, e fui até o ponto de táxi. Fila de quase dobrar a esquina.

Pedi para uma senhora guardar meu lugar e fui procurar o outro guardinha mais próximo. Ao repetir minha pergunta, só ouvi “Metrô? Aqui? Ah, pergunta lá no quisoque da Riotur”. Quiosque da Riotur, lá vamos nós... Para quê, mesmo, hein, já que não havia NENHUM atendente lá? Afinal, para quê, minha gente, ter alguém para dar informações a turistas em um principal pontos de chegada à cidade?

Como sou brasileira (#enãodesistonunca), fui até o balcão de informações da empresa de ônibus que faz integração até a Barra. Lá, uma moça histérica (com a quantidade de pessoas que queriam ir ao show), deu a mesma resposta do primeiro guarda.

Voltei para fila do táxi. Esperei 45 minutos. Tensos 45 minutos, pois a quantidade de viciados em crack que tentavam puxar coisas dos transeuntes (um, inclusive, se jogou dentro de um carro que buscava uma passageira) era assustadora.

E a fila não andava.

Passou um agente de trânsito e, mais uma vez, fiz questionamentos sobre o Metrô. Ele, de pronto, respondeu: “Ah, foi transferida para aquela rodoviária municipal. O último ponto”.

Minhas "Luluquices" fizeram uma pequena matemática:
  • Distância: a rodoviária ficava a uns cinco minutos de distância (sistema métrico, a gente não se vê por aqui)
  • Iluminação: quase nenhuma
  • Segurança: nenhum policial no trajeto, dois agentes de trânsito surtados com o engarrafamento monstro
  • Velocidade: leeeeeerda. Eu estava com uma mala de mão e duas bolsas, além de pernas cansada de viagem/fila
  • Obstáculos: muitos (entre buracos de obras, tapumes e usuários de crack).
  • Resultado = permaneci na fila
Depois de mais 25 minutos, consegui um táxi. Ao entrar no carro, uma jovenzinha perguntou se eu estava indo para a Barra. Respondi que não e, prestativa, falei sobre a integração. Ela disse que sabia que tinha, mas os ônibus estavam tão lotados, que o próximo com vaga sairia somente às 21h30 (eram 19h45).

Já no carro, a taxista disse “se você fosse para Barra, eu desistia da corrida. Tem um colega que foi às 15h e ainda não chegou. Isso tudo por um show vazio”.

Aí, eu pensei: e se eu fosse uma turista que estivesse indo direto para um jogo olímpico? Perderia meu ingresso, minha diversão e meu encantamento pela cidade.

Não acredita na situação da Rodoviária Novo Rio? Até O Globo falou sobre isso aqui.

15 de novembro de 2012

Comemorando os quase 30

Tirando o ano passado, eu sempre comemoro o meu aniversário, o fatídico dia das bruxas e/ou do saci.

Na festa dos quase 30, eu queria fazer um piquenique de verdade lá no Parque da Catacumba (um lugar que vale muito a pena conhecer), mas, como era de se esperar, Dia de Finados sempre chove. Qual a solução: o bom e velho salão de festas do prédio da mamãe.Contudo, a decisão foi em cima da hora: de um dia para outro. Para o piquenique de verdade, eu não precisaria de decoração, já que a natureza cumpriria essa tarefa.

Mas um piquenique indoor, sem nenhum itenzinho decorativo, ficaria uma festa digna de finados  mesmo. Se você trabalha bem com as soluções decorativas festivas disponíveis no mercado, parabéns, você não teria o meu dilema. Como eu sempre tento tirar leite de pedra (quer dizer, decoração de materiais reutilizáveis), eu sofri-chorei-tanto-que-nem-sei.
Até que, entre soluços, chegaram as soluções:
  • uns retalhos de tecido que mamãe deu, que já estavam em forma de triângulo e viraram bandeiras
  • folhas de revistas que viraram rosettes 
  • garrafas vazias, decoradas com o que sobrou de retalho de tecido
Isso já deu um charme ao ambiente, mas não foi só! Conhecendo-me há 29 anos, mamãe fez um painel de macieira, pois sabia que eu não ia gostar de ter um salão liso. E compru toalhinhas e flores para as mesas de convidados. Para a mesa principal, uma cesta de vime e pratos de papel que podem ser reutilizados.

Meus companheirinhos de trabalho me deram um outra linda cesta, que enchi de flores e coloquei na mesa grande.  E a fofa da Adriana Félix (responsável pelos lindos e gostosos cupcakes) também me deu um cesta, repleta de gostosuras, que ficou decorando o outro lado do salão.

Com o pessoal chegando e trazendo comidinhas saborosas, a mesa ficou farta e linda.

De resto, foi só curtição com os amigos, que escreveram seus nomes nos copos de plástico para evitar disperdício!

Após a festa, os materiais foram separados (porque no prédio da minha mãe há coleta seletiva). O excesso de toalhas, levei para fazer artesanato, assim como as bandeirinhas.

As cestas e flores foram para a sala de estar.

E assim, a comemoração vai continuando! O que será dos 30, hein?



Vamos às fotos:


Camila e Tato mostrando uma geral da mesa e do painel.

Cupcakes da Adriana Félix

A cesta-presente da Fê Rena e do Marcos ganhou destaque 
na sala como porta-álbum e revistas
A cesta-guloseimas recebeu as flores remanescentes 
da festa e a eterna violeta


Observações:
1) Os amigos falaram sobre o blog durante a festa, logo não me preparei para ter fotos boas.

9 de novembro de 2012

Aquela dos 30

“Hoje já é quinta-feira
E eu já tenho quase 30Acabou a brincadeiraE aumentou em mim a pressaDe ser tudo o que eu queriaE ter mais tempo pra me exercer”[Sandy]

Eu sei, eu sei... É ridículo começar a (será?) nova fase do blog com RO verso da mais nova música de Sandy, “Aquela dos 30”.

Mas eu estou exatamente assim: com pressa de ser. De ser mais eu e menos o que os outros esperam. De ser igual. De ser diferente. Mas ser o que quero no momento.

Tentarei fazer daqui um espaço para mostrar diferentes pedacinhos desse meu “ser”. E, principalmente, experiências cotidianas que realizarei antes dos meus 30.

O retorno do blog foi uma sugestão de amigos que olham as minhas coisitas diárias e disseram que elas deveriam ser compartilhadas!



10 de junho de 2010

Nestes últimos dias, eu [...]


- participei de treinamentos e dinâmicas;
- passei mais de uma semana sem dormir na minha própria cama. Queria eu ser o que vocês pensam, mas fiquei muitas noites em um hospital;
- corri 6 km na serra (quase 3 km de subidas) em menos de 50 minutos;
- cortei franjinha;
- senti-me velha, já que minhas estagiárias NUNCA tinham assistido aos célebres “Justify my love”, “Vogue”, “Like a Prayer”... É por isso que ficaram tão chocadas com “Alejandro” da Lady Gaga;
- vi a organização do espaço do “evento” do ano que vem;
- enchi-me completamente com o assunto Copa do Mundo. Sem saco nenhum para Dunga e cia;
- assisti a váaaaarios episódios de “House”;
- terminei de ler “A mulher desiludida” de Simone de Bevouir. O que achei? Bom, mas não me senti nem um pouco mais feminista. Inclusive, a personagem principal da última parte é chata. C-H-A-T-A com todas as letras e espaços. Entendo bem a traição do marido;
- deixei rancores de lado;
- adquiri um zumbido eterno no ouvido direito;
- amei a banda The Editors. Não conhece? Joga no youtube, pois eu não to aqui para fazer todo o trabalho;
- cantei “I will survive” com a cabeça do lado de fora do carro;
- tive de lidar com crises hipoglicêmicas alheias;
- lambi meu sobrinho;
- visitei a afilhada menina-delícia;
- vi que a Record não teve a mínima vergonha de COPIAR a linda cena de Alex dançando na cadeira e levando um jato d’água. Ai, não sabe do que estou falando? “Flashdance”, filhote!
- NÂO dancei nenhum rockzito;
- saí da dieta algumas vezes...

*=* Nova brincadeira: adivinhe o que estou ouvindo *=*
1) Começa com sintetizadores e teclados
2) É cantada em dupla
3) Fez parte de um filme de fantasia
4) Tem vozes masculina e feminina
5) O refrão leva o título do filme
6) A harmonia praticamente NÃO muda
7) Lembre-se de um cachorro bizarro de orelhas enormes que não é o Xuxo
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V
“Is the answer to a NEVER ENDING STORY”. Never ending story, Limahl.


11 de março de 2010

Dia de observações

Ontem, o simples ir e vir para a academia me rendeu algumas cenas interessantes.

Na ida, no começo da noite, as crianças saiam da escola. Uma delas, um menino loiro de cabelos cacheados, caminhava com seu pai. Nas mãos, um saco de batatas fritas; no rosto, um sorriso ao contar ao pai suas aventuras. Em determinado ponto da volta pra casa, menino loiro se depara com outra criança, provavelmente da mesma idade, também acompanhada de seu pai.

Nas mãos, um pedaço de papelão. No rosto, um olhar triste de quem precisa vasculhar o lixo para sobreviver.

O menino loiro pára por alguns segundos. Seu ar de sorriso se transforma em dúvida. Posso senti-lo a se perguntar “por que ele tem de mexer no lixo, papai?”. Mas o pai está muito ocupado em andar em frente para perceber a questão nos olhos de seu próprio filho. O menino continua a parar diversas vezes a fim de ver o colega no lixo. Chega a olhar para o pacote de batata frita, pronto a entregá-lo ao próximo. Mais uma vez, olha para o pai, pedindo uma aprovação. O pai continua a andar em frente. Por um momento, quero deixar de lado o papel de observadora, e dizer ao menino loiro “vai lá, pode dar a batata para ele”. Mas não me atrevi. Não cabe a mim a educação dos filhos dos outros. Mas torci (e ainda torço) para que aquele momento nunca escape da memória do menino loiro e para que o seu ímpeto de ajuda ao próximo não se perca ao longo do seu processo de crescimento.

Na volta, parei num supermercado para comprar um cartão de ônibus. Na minha frente, na fila do caixa, dois norte-americanos pagavam suas mercadorias. Todas (exceto o leite) orgânicas. O café, o molho de tomate, o suco de uva... Comecei a observá-los, admirada. 


E não é que suas roupas também eram feitas de tecido orgânico?! Fiquei feliz de constatar que ser mais ético nas escolhas pode ser mais fácil do que imaginamos. Ainda na minha felicidade, escuto a reclamação da caixa: os “gringos” haviam esquecido suas compras. Desta vez, agi. Mesmo sob protestos da caixa, fui atrás deles. Em troca, ganhei um sorriso enorme e um gentil “ouuuuuuubrriiigadu” e a certeza de que este é um dia para se lembrar.

30 de abril de 2008

Preguiça. Palavra constante em meu vocabulário.

Hoje, dia chuvoso e relativamente frio, é uma dia crucial para se ter preguiça. Acordei cedo, tomei café, estudei e... Desisti de ir até à Biblioteca Nacional. Por preguiça, claro! Não que eu tenha ficado à toa, estudei mais em casa, escrevi e adeqüei artigos, ouvi jazz e tomei chá verde com cookies integrais.

Mas só de ter ficado em casa pela preguiça, minha cabeça pôs-se a trabalhar. A preguiça não se restringe somente a vontade de não mexer o corpo, de poupar energia física. A preguiça é toda vontade de poupar qualquer energia. Até pouco tempo atrás, eu sofria com uma preguiça intelectual inacreditável. Só de pegar um livro, abrir a página e começar a ler, eu cansava. Tinha preguiça de apreender novas coisas. “Para quê?”, pensava eu.

Agora, tenho uma preguiça de lazer. Não tenho curtido sair de casa, a não ser que seja para ir ao cinema ou ao teatro. Parece que o intelecto quis voltar a trabalhar com força. Sair para quê? Para dançar as mesmas músicas? Para ver os mesmos rostos? Para usar as mesmas roupas?

Quando digo que não quero sair, alguém sempre diz: “Vai sair sim, vai conhecer gente nova”. Óbvio que isso é uma torcida para que minha condição de solteira acabe logo. Ontem, quando comentei isso a uma amiga, ela também me disse que sente o mesmo que eu: PREGUIÇA, óbvio.

Afinal, conhecer gente nova? Ter que se arrumar para sair? Observar se há alguém de interessante por perto? Tentar iniciar um diálogo (e o pior, mantê-lo)? Verificar se bate a “química”? Fofocar o Orkut alheio? Esperar um telefonema? Fazer um telefonema? Marcar um outro encontro? Passar por todo o processo novamente?

Para quê, minha gente?

Às vezes, a preguiça nos manda repetir as figurinhas. Elas não completam o álbum, eu sei. Porém, também não desgastam nossa energia.

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Na Vitrola
Prato do Dia – O Teatro Mágico (alguém diz pro Anitelli que eu não tenho preguiça de passar pelo processo de casar com ele?)

31 de março de 2008

"Deixa eu falar?"

Eu estava no meu percurso semanal entre a terapia e a casa de uma amiga. Assumo que estava meio ressabiada de encontrar com o rapaz do caso lá de baixo. Afinal, na última vez que nos vimos, eu fui extremamente grosseira (o que me é muito peculiar, principalmente após passar por um momento-trauma, caso para outro post).

Mas voltando ao percurso... Lá estava eu com meus passos apressados quando escuto uma pessoa do sexo feminino gritando “Deixa eu falar? Deixa eu falar?”. Se eu já me irrito facilmente com indivíduos que berram ao celular, imagina com esta senhora que só falava a mesma frase por longos cinco minutos? A minha vontade era de pegar o telefone e dizer para o quem-quer-que-fosse do outro lado da linha o seguinte: “PESSOA, FAÇA UM FAVOR PARA AGRADAR JESUS: DEIXA ESTA MOÇA FALAR!”.

Dez minutos após a sonora perseguição, alguém ouviu minhas preces, pois a menina se calou. Isso exatamente no mesmo momento em que parei no sinal. Aí sim veio a benção final, o monólogo que tanto alegrou meu resto de dia:

— Meu filho, o que você tem de entender é que eu já te superei. Não sinto mais nada por você. Na verdade, eu tenho NOJO de você. Já te esqueci. Já te superei.

A pessoa do sexo feminino passou direto e meu sinal abriu. Antes de atravessar, olhei para as outras mulheres que se encontravam no mesmo local. Todas, evidentemente, riam. “Quando a gente faz escândalo pra dizer que esquecemos é porque ainda gostamos muito”.

Confesso que me decepcionei com todo aquele escarcéu. Depois de dez minutos tentando falar era tudo aquilo que a moça queria dizer? Poxa, infelizmente, ela só deu mais crédito para o tal do ser que ela tem “nojo”. Ou vão dizer que o moçoilo não teve a mesma interpretação dos fatos do que a nossa?

No fundo, mulher é tudo igual. E os homens também.

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Na vitrola:
Domingo no parque – Gil

11 de março de 2008

Aqui estou, mais uma vez...

Tentando escrever um diário virtual. Bem, pelo menos, desta vez, a culpa não é minha. Claro que não! A culpa é dos meus amigos (alguns dos melhores, por sinal) que decidiram morar fora de solos brasileiros.

Eu gostaria muito de (re)começar a escrever cheia de novidades. Não tenho tantas. Mas já estou feliz por conseguir me estruturar. Horários de estudo, de terapia, de malhação, de ensaios... Tudo organizado! Estou com tempo para tudo. Bem, não vou falar mais não... Vai ver que o tempo percebe que está meio expremidinho e tenta fugir.

Vou fingir que não escrevi nada e cantarolar mais uma vez “bluuuuuuuuuuuue savannah song” (Erasure). Assim consigo assustar até o tempo!

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SEÇÃO: COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM LULUCA.

A moça e o rapaz não se esbarravam há bastante tempo. Mais de um mês, para ser (quase) exato. Nem telefone, nem e-mail, nem carta... Nem sinal de fumaça. Eis que a moça, que detesta o bairro de Copacabana, passa apressada por uma de suas principais ruas.

Com o tempo, ela percebe que está sendo seguida. Assustada, decide apertar o passo. O indivíduo não só acelera como anda ao seu lado. Sem coragem de tirar os olhos do chão —“Será que é um ladrão? Ou um louco? Sim, porque loucos me perseguem...”, pensava ela — a moça tentou andar ainda mais rápido, até que...

Do nada, o rapaz pára na sua frente. Braços abertos:

— Quer me matar do coração? — Diz ela.
— Ei! O que a senhorita faz por aqui, hein?
— Tô saindo da terapia. E o senhor?
— Tô indo para a minha terapia!
— Ah, fala sério! Não acredito!
— Pois é! E pra onde você está indo?
— Para a casa de uma amiga...
— Tá com horário marcado?
— Eu não? Mas você está, né? Tchau!
— Não, não! Eu ainda tenho tempo de tomar um suco...

E depois ainda dizem que a moça é maluca.

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Na vitrola:
Blue Savannah Song