4 de dezembro de 2009

Sonhar junto

Sim, eu prometi que escreveria sobre as formas de promover filmes. Mas algumas coincidências (será?) me fizeram pensar sobre um tema que se torna cada dia mais presente em minha caixola: o desenvolvimento sustentável.

Vamos aos acontecimentos:

1) Durante o restinho de tarde livre que tive hoje (quase um milagre nesta semana), assisti ao programa Eco-Renovação, da Discovery Home & Health. Ele aborda maneiras “verdes” de se construir ou reformar uma casa;


2) Recebi o vídeo E se encolhessem a sua casa, que fala da redução das calotas polares, devido ao aquecimento global, o que vem exterminando o habitat dos ursos polares;

3) A chamada do Fantástico que apresenta, justamente, como os icebergs estão cada vez menores (e mais rápido);

4) O final do programa de Raul Seixas que mostrou ele cantando a belíssima frase “um sonho sonhado só é só um sonho / um sonho sonhado junto é realidade” e profetizando a revolta da natureza com as agressões humanas.

Considero impressionante como não nos comprometemos com a causa ambiental. As provas estão aí. As conseqüências também. Todo mundo teme um “2012”, mas (quase) ninguém faz algo pra mudar.

Eu não sou exemplo... Ainda. A cada dia, tento melhorar um pouco. Mas, hoje, no Eco-Renovação, vi que não faço quase nada. Há pessoas que saem de casas de 300m² para ambientes de 80m² construídos somente com elementos ecologicamente corretos e sustentáveis.

Eu me senti um lixo. Pelo menos, sei que sou um lixo reciclável.

Agora, será que ninguém mais se sente assim? Todo mundo acha normal considerar o encontro climático na Dinamarca obsoleto mesmo antes de começar?

Ser sustentável é mais do que usar papel reciclado ou diminuir a conta de luz. E nós, comunicadores, temos de saber disso para orientar e auxiliar as empresas que desejam pensar no lucro do planeta (e não só do próprio bolso).

Ser sustentável inclui, entre outras coisas, acompanhar insistentemente o processo de produção evitando ao máximo desperdícios, procurar novos materiais, dispensar fornecedores e educar. Sim, educar. Educar funcionários, clientes, acionistas...

Educação... Os meios de comunicação poderiam ser uma boa fonte, contudo, muitas vezes atrapalham. Eles misturam informações, valorizam um estilo de vida cheio de ostentações e extravagâncias desnecessárias e, quando abordam temas como o aquecimento global, geralmente dão a impressão de que o problema é só das indústrias e empresas. Não ensinam como cada um pode (“sim, nós podemos”), fazer a sua parte para melhorar o planeta (desde a escolha do que compra até como descarta/recicla seu lixo).

Afinal, “um sonho sonhado só é só um sonho / um sonho sonhado junto é realidade”.

Então, vamos sonhar juntos?

28 de setembro de 2009

Parem de falar mal da rotina

Eu sei que este é um plágio do nome da peça de sucesso da Elisa Lucinda.

Mas eu gostaria de dizer como estou feliz em ter uma rotina. Rotina traz conhecimento, traz saúde, traz paz...

Claro, a rotina pode cansar e é por esta razão que volto a escrever aqui. Não tenho vontade de fazer uma auto-biografia, mas sim escrever livremente, como há tempos não faço. Resenhas, devaneios, opiniões e crônicas.

Agora, vou lá preparar um jantar. É o início de uma rotina que espero que seja bem duradoura.

30 de abril de 2008

Preguiça. Palavra constante em meu vocabulário.

Hoje, dia chuvoso e relativamente frio, é uma dia crucial para se ter preguiça. Acordei cedo, tomei café, estudei e... Desisti de ir até à Biblioteca Nacional. Por preguiça, claro! Não que eu tenha ficado à toa, estudei mais em casa, escrevi e adeqüei artigos, ouvi jazz e tomei chá verde com cookies integrais.

Mas só de ter ficado em casa pela preguiça, minha cabeça pôs-se a trabalhar. A preguiça não se restringe somente a vontade de não mexer o corpo, de poupar energia física. A preguiça é toda vontade de poupar qualquer energia. Até pouco tempo atrás, eu sofria com uma preguiça intelectual inacreditável. Só de pegar um livro, abrir a página e começar a ler, eu cansava. Tinha preguiça de apreender novas coisas. “Para quê?”, pensava eu.

Agora, tenho uma preguiça de lazer. Não tenho curtido sair de casa, a não ser que seja para ir ao cinema ou ao teatro. Parece que o intelecto quis voltar a trabalhar com força. Sair para quê? Para dançar as mesmas músicas? Para ver os mesmos rostos? Para usar as mesmas roupas?

Quando digo que não quero sair, alguém sempre diz: “Vai sair sim, vai conhecer gente nova”. Óbvio que isso é uma torcida para que minha condição de solteira acabe logo. Ontem, quando comentei isso a uma amiga, ela também me disse que sente o mesmo que eu: PREGUIÇA, óbvio.

Afinal, conhecer gente nova? Ter que se arrumar para sair? Observar se há alguém de interessante por perto? Tentar iniciar um diálogo (e o pior, mantê-lo)? Verificar se bate a “química”? Fofocar o Orkut alheio? Esperar um telefonema? Fazer um telefonema? Marcar um outro encontro? Passar por todo o processo novamente?

Para quê, minha gente?

Às vezes, a preguiça nos manda repetir as figurinhas. Elas não completam o álbum, eu sei. Porém, também não desgastam nossa energia.

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Na Vitrola
Prato do Dia – O Teatro Mágico (alguém diz pro Anitelli que eu não tenho preguiça de passar pelo processo de casar com ele?)

31 de março de 2008

"Deixa eu falar?"

Eu estava no meu percurso semanal entre a terapia e a casa de uma amiga. Assumo que estava meio ressabiada de encontrar com o rapaz do caso lá de baixo. Afinal, na última vez que nos vimos, eu fui extremamente grosseira (o que me é muito peculiar, principalmente após passar por um momento-trauma, caso para outro post).

Mas voltando ao percurso... Lá estava eu com meus passos apressados quando escuto uma pessoa do sexo feminino gritando “Deixa eu falar? Deixa eu falar?”. Se eu já me irrito facilmente com indivíduos que berram ao celular, imagina com esta senhora que só falava a mesma frase por longos cinco minutos? A minha vontade era de pegar o telefone e dizer para o quem-quer-que-fosse do outro lado da linha o seguinte: “PESSOA, FAÇA UM FAVOR PARA AGRADAR JESUS: DEIXA ESTA MOÇA FALAR!”.

Dez minutos após a sonora perseguição, alguém ouviu minhas preces, pois a menina se calou. Isso exatamente no mesmo momento em que parei no sinal. Aí sim veio a benção final, o monólogo que tanto alegrou meu resto de dia:

— Meu filho, o que você tem de entender é que eu já te superei. Não sinto mais nada por você. Na verdade, eu tenho NOJO de você. Já te esqueci. Já te superei.

A pessoa do sexo feminino passou direto e meu sinal abriu. Antes de atravessar, olhei para as outras mulheres que se encontravam no mesmo local. Todas, evidentemente, riam. “Quando a gente faz escândalo pra dizer que esquecemos é porque ainda gostamos muito”.

Confesso que me decepcionei com todo aquele escarcéu. Depois de dez minutos tentando falar era tudo aquilo que a moça queria dizer? Poxa, infelizmente, ela só deu mais crédito para o tal do ser que ela tem “nojo”. Ou vão dizer que o moçoilo não teve a mesma interpretação dos fatos do que a nossa?

No fundo, mulher é tudo igual. E os homens também.

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Na vitrola:
Domingo no parque – Gil

13 de março de 2008

Fenomenologia

“Os homens respondem não apenas aos aspectos físicos de uma situação, mas também e por vezes, primariamente ao sentido que esta situação tem para eles. Uma vez que eles atribuem algum sentido à situação, o seu comportamento subseqüente e algumas das conseqüências deste comportamento são determinadas por este sentido anteriormente trabalhado” (W. J. Thomas)

Não fez sentido para você?

Para mim fez. E muito.

11 de março de 2008

Aqui estou, mais uma vez...

Tentando escrever um diário virtual. Bem, pelo menos, desta vez, a culpa não é minha. Claro que não! A culpa é dos meus amigos (alguns dos melhores, por sinal) que decidiram morar fora de solos brasileiros.

Eu gostaria muito de (re)começar a escrever cheia de novidades. Não tenho tantas. Mas já estou feliz por conseguir me estruturar. Horários de estudo, de terapia, de malhação, de ensaios... Tudo organizado! Estou com tempo para tudo. Bem, não vou falar mais não... Vai ver que o tempo percebe que está meio expremidinho e tenta fugir.

Vou fingir que não escrevi nada e cantarolar mais uma vez “bluuuuuuuuuuuue savannah song” (Erasure). Assim consigo assustar até o tempo!

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SEÇÃO: COISAS QUE SÓ ACONTECEM COM LULUCA.

A moça e o rapaz não se esbarravam há bastante tempo. Mais de um mês, para ser (quase) exato. Nem telefone, nem e-mail, nem carta... Nem sinal de fumaça. Eis que a moça, que detesta o bairro de Copacabana, passa apressada por uma de suas principais ruas.

Com o tempo, ela percebe que está sendo seguida. Assustada, decide apertar o passo. O indivíduo não só acelera como anda ao seu lado. Sem coragem de tirar os olhos do chão —“Será que é um ladrão? Ou um louco? Sim, porque loucos me perseguem...”, pensava ela — a moça tentou andar ainda mais rápido, até que...

Do nada, o rapaz pára na sua frente. Braços abertos:

— Quer me matar do coração? — Diz ela.
— Ei! O que a senhorita faz por aqui, hein?
— Tô saindo da terapia. E o senhor?
— Tô indo para a minha terapia!
— Ah, fala sério! Não acredito!
— Pois é! E pra onde você está indo?
— Para a casa de uma amiga...
— Tá com horário marcado?
— Eu não? Mas você está, né? Tchau!
— Não, não! Eu ainda tenho tempo de tomar um suco...

E depois ainda dizem que a moça é maluca.

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Na vitrola:
Blue Savannah Song

29 de novembro de 2006

Insone

Mais uma noite mal dormida. O sono aparecera devagar, mas sua lentidão se tornou prato cheio para insônia, que venceu mais uma batalha. Mas desta vez, não foram os pensamentos confusos ou os parágrafos quase insanos do livro de cabeceira que não a fizeram dormir.

Ela sentia saudades. Não era uma saudade de sentimentos, de carinhos e adornos. Era uma saudade física. Sentia falta de um outro corpo ao seu lado. Queria sentir novamente a pressão das mãos alheias subindo o contorno de suas pernas, sua cintura. Respirou fundo, pois talvez assim esta saudade passasse.

Saudade ou vontade? Já não sabia. Quanto mais respirava, mas aflita ficava. O tempo quente e úmido ajudava. Suava um pouco e as gotas de seu suor pareciam querer descobrir um corpo que nem ela mesma lembrava. Decidiu, então, redescobri-lo. Aos pouco e timidamente, é verdade. Pernas, barriga, seios... Lembrou-se da última vez em que eles foram tocados daquela forma.

É, talvez a última vez não valesse a pena ser lembrada...

Recordou a anterior. Agora sim sabia identificar que o que sentia não era saudade, mas sim uma vontade intensa e quase devoradora. Ser só já não adiantava. Não se importava mais que já era madrugada. Pegou o telefone. Ele tinha de saber que ela estava pronta...

(Só porque disseram que eu não seria capaz de escrever uma coisa dessas!)