11 de março de 2010

Dia de observações

Ontem, o simples ir e vir para a academia me rendeu algumas cenas interessantes.

Na ida, no começo da noite, as crianças saiam da escola. Uma delas, um menino loiro de cabelos cacheados, caminhava com seu pai. Nas mãos, um saco de batatas fritas; no rosto, um sorriso ao contar ao pai suas aventuras. Em determinado ponto da volta pra casa, menino loiro se depara com outra criança, provavelmente da mesma idade, também acompanhada de seu pai.

Nas mãos, um pedaço de papelão. No rosto, um olhar triste de quem precisa vasculhar o lixo para sobreviver.

O menino loiro pára por alguns segundos. Seu ar de sorriso se transforma em dúvida. Posso senti-lo a se perguntar “por que ele tem de mexer no lixo, papai?”. Mas o pai está muito ocupado em andar em frente para perceber a questão nos olhos de seu próprio filho. O menino continua a parar diversas vezes a fim de ver o colega no lixo. Chega a olhar para o pacote de batata frita, pronto a entregá-lo ao próximo. Mais uma vez, olha para o pai, pedindo uma aprovação. O pai continua a andar em frente. Por um momento, quero deixar de lado o papel de observadora, e dizer ao menino loiro “vai lá, pode dar a batata para ele”. Mas não me atrevi. Não cabe a mim a educação dos filhos dos outros. Mas torci (e ainda torço) para que aquele momento nunca escape da memória do menino loiro e para que o seu ímpeto de ajuda ao próximo não se perca ao longo do seu processo de crescimento.

Na volta, parei num supermercado para comprar um cartão de ônibus. Na minha frente, na fila do caixa, dois norte-americanos pagavam suas mercadorias. Todas (exceto o leite) orgânicas. O café, o molho de tomate, o suco de uva... Comecei a observá-los, admirada. 


E não é que suas roupas também eram feitas de tecido orgânico?! Fiquei feliz de constatar que ser mais ético nas escolhas pode ser mais fácil do que imaginamos. Ainda na minha felicidade, escuto a reclamação da caixa: os “gringos” haviam esquecido suas compras. Desta vez, agi. Mesmo sob protestos da caixa, fui atrás deles. Em troca, ganhei um sorriso enorme e um gentil “ouuuuuuubrriiigadu” e a certeza de que este é um dia para se lembrar.

8 de março de 2010

Preconceitos: menos um

Neste fim de semana, acabei com um preconceito. Levei meses, às vezes pensei em desistir no meio do caminho, mas consegui...

Li os sete exemplares da coleção do Harry Potter!

Quando o livro sobre o bruxinho mais famoso do mundo foi lançado, eu tentei lê-lo. Contudo, eu era uma jovem rebelde pseudo-hippie que se achava “inteligente demais” para ler aquilo. Tentei umas duas vezes, sem passar da terceira página, pois considerava a leitura maçante (sem fluxo). Depois disso, desisti de vez: pensei que não fosse me acrescentar nada.

Mesmo assim, acompanhei alguns filmes. Gosto de filmes fantasiosos e a série Harry Potter, por algum motivo me fazia lembrar de “A história sem fim”. O que, lógico, atraiu minha afeição.


No ano passado, a curiosidade começou a pintar quando Zé - meu grande amigo do mestrado (e uma das pessoas mais cultas e inteligentes que conheço) - foi mordido pela vontade de descobrir o que o bruxinho tinha e comprou, de uma vez, toda a coleção. “Luiza, não é tão ruim. É fácil, mas deixa de ser bobo no final”, disse ele.

Depois, o namorado (sempre ele me fazendo quebrar paradigmas) me levou para assistir a “Harry Potter e o enigma do príncipe no cinema”. Eu gostava dos filmes, mas nunca tinha pago um ingresso de telona para vê-los. Aí, descobri que o namorado tinha todos os livros e havia assistido a todos os filmes. Rolou uma nova curiosidade: “se o namorado gosta e eu gosto do namorado, será que não gostarei de HP?”. Mas este meu jeito. Descartes de pensar logo se esvaiu, como num passe de mágica.

Aí, veio a crise... A crise de ansiedade. Os surtos. E, com eles, as noites se transformaram em infernos, a cabeça não parava de pensar em besteiras. Então, meus terapeutas foram taxativos:
“a senhorita vai ler alguma coisa tranquila antes de deitar. Nada de Filosofia. Nada de Comunicação. Besteiras”.
E o que veio em minha mente? Harry Potter, é claro. Peguei a coleção do namorado e comecei a ler. Os primeiros livros foram bem complicados. Os seus começos eram mesmo maçantes, não agüentava ler as partes de Harry no mundo não-bruxo. Mas verdade seja dita, comecei a dormir melhor.

E, com o tempo, as coisas foram melhorando. A escrita ficou mais leve e envolvente e a trama complicada. No fim do sexto livro, eu já até sonhava com o fim de Harry Potter. Bem, o fim de J.K. Rowling foi bem diferente do que eu imaginava, mas não posso dizer que perdi meu tempo.

Li Harry Potter e, apesar de tudo, gostei. Agora posso dizer sem preconceitos.

4 de março de 2010

Água na boca


Mais um item para a sessão sonho de consumo sustentável: uma garrafinha de água com filtro!!!!!!!!!!!!!!!!

Quem me conhece sabe que não saio de casa sem levar a minha velha garrafinha. Mas admito que ela é feia e não confio muito na qualidade da água dos bebedouros que encontro por aí (no trabalho, na academia). Com a water bubble, ficaria mais tranqüila: cloro e resíduos orgânicos ficam no filtro (que só precisa ser trocado a cada três meses).

Sim, a garrafa é feita de plástico. Porém, todo o material é reciclado, ok?

Mais uma prova para mostrar que ser consciente não é ser chato ou brega. Fica a dica!

Fonte:
Embalagem Sustentável

1 de março de 2010

Pronto, falei!


Admito, sou um ser estranho no meio de tantas novidades digitais. Agora, tenho caído de amores pelas utilizações da web 2.0 (junto com a sustentabilidade, este tem sido o assunto que mais tenho gostado de estudar, inclusive, para mim, os dois “mundos” se completam, mas isso é discussão para outro post), contudo continuo não sendo muito fã das partes “táteis” da tecnologia.

Tento ficar por dentro dos lançamentos, das diferenças entre produtos. Mas, se os mesmos não apresentarem um chamado verde realmente interessante, a minha empolgação é rápida e rasteira.

Agora, falarei algo que certamente será considerado um desaforo: eu não amo de paixão a Apple. PRONTOFALEI!

Óbvio, acho tudo lindo e sei das maravilhas das suas mil funcionalidades. Mas não morro de vontade de ter nenhum dos seus milhares de “I’s”. Até tenho um Ipod (daquele pequenininho), que o meu namorado - amante incondicional da Apple - me deu.

Outro dia, já havia ficado triste ao ler que a empresa não possui um plano claro de logística reversa* (o que, na minha humilde opinião, todas organizações deveriam ter, principalmente as que lidam com um dos piores lixos industriais, o eletrônico). Agora, vem outra bomba: a Apple confirmou o uso de trabalho infantil!!!
Leia mais aqui.

Claro que já é uma boa notícia a empresa, pelo menos, assumir a mea culpa. O início do plano de crises parece estar sendo cumprido direito (um contrato com fornecedor já foi rompido). Vamos ver se as mudanças serão aplicadas e acompanhadas para que isso não se repita.

Esta é uma falta grave, mas que pode se consertada. É só lembrar do caso Nike. Todavia, é de difícil acompanhamento. A Apple deverá manter uma fiscalização mais frequente nas fábricas e não só esperar por auditorias anuais. A responsabilidade do desenvolvimento saudável de seus negócios e de um relacionamento de confiança entre a Apple e seus consumidores e prospects mais chatos (tipo euzinha) depende da própria empresa e não de seus terceirizados. Afinal, é o olho do dono que engorda o gado, não é o que dizem?