27.4.08

Enquanto isso no Palácio da Justiça

Após um período conturbado de mudanças (em todos os sentidos), volto a escrever para o blog.

Na verdade, vou apenas reproduzir um relato da Dani, minha comadre, que está morando em Belém (PA). Em um desabafo, ela diz como são as diferenças entre os atos de violências cometidos no sudeste e no norte do país. O texto começou com referência a uma coisa que eu realmente não agüento mais: o caso Isabella

Infelizmente, violência contra à criança sempre existiu. Cometida pelos pais, então... Eu, por exemplo, já trabalhei em um orfanato que só abrigava menores de idade que foram violentados pelos pais (ou responsáveis legais). Havia casos de estupros, queimaduras e, claro, de espancamentos.

Não quero aqui dizer que o caso Isabella não é chocante ou que deve ficar impune. Só gostaria de informar que se é para nos revoltarmos, devemos, então, conhecer as outras histórias. Todas elas são revoltantes.

Por que, então, monopolizar as atenções midiáticas em torno da “pequena Isabella”? As respostas podem ser muitas e existem diversas correntes teóricas dos campos da Comunicação e Sociologia que explicam este fenômeno... Eu não pretendo dar uma aula sobre estes aspectos (muitos, inclusive, estão fora do meu alcance), mas, se você quiser comentar comigo como está chocado com a violência cometida contra crianças, por favor, procure novos casos. Lembre-se de que Isabella não foi e não será por muito tempo o único caso que aconteceu no país.

Relato de Dani:

Isabella Nardoni? Aqui tem toda hora! Só esta semana teve: um menino de quatro anos possivelmente violentado e assassinado por um amigo da família; um padrasto que matou, a pedido da mãe, um garoto de 11 anos e uma outra mãe que matou um guri de oito anos porque a criança “fazia muito barulho”.